12/02/2005 00:59
IRMÃOS CORAGEM
Na infância, eles sempre foram meio outsiders. Adultos, viraram atores, mas preferiram o teatro e o cinema à tela global. Além dos olhos azuis, Chico e Enrique Diaz conquistam porque são aquele tipo de gente que não tem medo de expor as próprias falhas.
Os Diaz são um clã. Um clã que, como num filme de Walter Salles, peregrinou pela América Latina durante anos até aportar definitivamente no Brasil. Hoje, Chico, 45, e Enrique, 37, formam uma dupla singular no meio artístico. Os olhos azuis e a fisionomia forte não são o único elo. A sólida carreira artística construída sem o impulso quase sempre fundamental da televisão também carimba a biografia dos dois. Chico tem em seu currículo mais de 40 filmes entre eles Amarelo Manga, Benjamim e Os Matadores. Já Enrique ou Kike, como é conhecido também fez cinema, mas se firmou mesmo como diretor de teatro: A Paixão Segundo G.H ., monólogo baseado no romance de Clarice Lispector, foi das peças mais elogiadas do ano passado e agora vai ser apresentada na França.
Embora donos de um talento inquestionável, os irmãos Diaz são obviamente outsiders na profissão. E parecem não se incomodar com isso. Talvez porque, desde pequenos, se acostumaram à condição de estrangeiros. O avô era um general do Exército paraguaio pertencia a ele, aliás, a espada usada neste ensaio. Os pais ele paraguaio, ela paulista se conheceram num curso de inglês em Washington, nos Estados Unidos. A mãe, tradutora, era a única mulher num grupo de 40 alunos. O romance rolou firme em solo americano, mas depois ele voltou para Assunção e ela para Ribeirão Preto, interior de São Paulo. Durante um tempão, namoraram por cartas, conta Chico. Depois de casados, percorreram a América por conta do trabalho do patriarca.
Desde que se instalou definitivamente no Brasil, há 36 anos, a família Diaz vive num casarão no Jardim Botânico, bem embaixo do braço direito do Cristo, como Chico gosta frisa sempre que pode.
Chico foi o primeiro a seguir o caminho dos palcos ao se matricular, sem aviso prévio, num curso de teatro no Tablado a mais tradicional escola carioca de artes cênicas. Na época, fim dos anos 70, fazia arquitetura na UFRJ e achava que seu destino seria as pranchetas. Influenciado pelo irmão mais velho, Kike entrou para o grupo de teatro do São Vicente, mas só decidiria seguir carreira depois de concluir a faculdade de comunicação na PUC.

MULHERES ATRIZES
Como quase sempre acontece com quem vive nas coxias do palco e nos sets de cinema, os dois terminaram se casando com atrizes. Foi durante os meses em que passaram no sertão nordestino gravando gravaram Kenoma, em 98, que Kike começou a namorar a atriz Mariana Lima hoje sua mulher e mãe da primogênita Elena, de 4 meses.
Chico também se casou com uma atriz, Cecília Santana, com quem teve Antônio, hoje com 9 anos, e de quem se separou em 2002. Atualmente namora Sílvia Buarque, - ela mesma, a filha de Chico que, como a mãe Marieta, resolveu ser... atriz! Apesar dos olhos azuis e de ser filho de paraguaio com paulista, Chico ficou marcado por interpretar personagens nordestinos O ator também já foi muito escalado para fazer papel de mau, como o político safado que interpretou em Benjamim , de Monique Gardenberg. Agora estou evitando um pouco papéis assim porque isso marca muito. Do jeito que a criminalidade está, não quero fazer.

enviada por Cenicas_pe
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