OPINIÃO CÊNICA

05/06/2005 15:20

BAGACEIRA ESTREIA SEU NOVO E EMOCIONANTE ESPETÁCULO
"REALEJO"



Sábados e domingos de junho, no Teatro SESC Emiliano Queiroz (Duque de Caixias), às 20 horas.

O Bagaceira opta, desta vez, por um espetáculo de extrema delicadeza e poesia. O clima pode ser traduzido pelos elementos que permeiam a estória: cidade pequena, pracinha, pôr-do-sol, amor proibido, mar e, claro, realejo.

A bela Marina é prometida em casamento, por seus pais, ao homem mais afortunado e poderoso da região. Vê, porém crescer sua paixão por um jovem rapaz, gerando assim a aflição e o início de uma íntima desordem que poderá tirar a quietude daquela cidade pacata. Todos os fatos são nostalgicamente enlaçados pelo Homem do Realejo, que presenciou essa bela estória de amor.

O Realejo é enchente de beleza e delicadeza versando sobre o desejo, mostrando quem é que decide, quem tem a última palavra nessa casa bagunçada que é o corpo. Um desejo que é capaz de romper com compromissos ou conformidade.

Trata-se também de mais um aprofundamento na parceria do autor (Rafael Martins) com o diretor (Yuri Yamamoto), resultando num espetáculo rico em imagens poéticas, trazidas pela condução minuciosa de cada ator, revelando organicidade dos sentimentos mais sutis e dos corpos que se fundem a bonecos.

Saltam à vista o domínio da rima, a concepção cênica, a fluidez, e a sutileza das atuações. Tudo isso no grande propósito de unir graça e gravidade, e sempre com imensa poesia. Utilizando-se de elementos da tragédia, do épico e do teatro bunraku, aliados ao frescor da liberdade e ao auto-didatismo que acompanham a trajetória do grupo, O Realejo reafirma e amadurece tábula de rigor que o grupo construiu para si.


O REALEJO, Grupo Bagaceira de Teatro
Texto: Rafael Martins
Direção: Yuri Yamamoto
Elenco: Edivaldo Batista, Paula Yemanjá, Rafael Martins, Ricardo Tabosa, Rogério Mesquita, Sâmia de Lavor e Tatiana Amorim.


O MAR DE MARINA


Esta é Marina desenhada por Yuri Yamamoto. Ela é personagem principal do espetáculo O Realejo. Um espetáculo muito delicado, melancólico e poético. Não perca...

Soneto de Marina-
(Rafael Martins)

Cidade pequena, pracinha e mar
Marina cresceu, mergulhou em mim
O que o destino reserva no fim?
Sei lá, deixa o realejo tocar

Demoro pensando e algo me diz
Que o sol dessa terra queima mais forte
Que o tempo de agora anuncia a sorte
A felicidade está por um triz

Te espero, menina, não fiques triste
Na beira do mar quando o sol deitar
Feche lá seus olhos e me aviste

Ao sofrer, menina, ao querer chorar
Pense no amor, que ele sempre resiste
Jamais fica triste quem pode amar

Toni®cife
Fonte: Rafael Martins



enviada por Cenicas_pe






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