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OPINIÃO CÊNICA
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05/06/2005 15:20
BAGACEIRA ESTREIA SEU NOVO E EMOCIONANTE ESPETÁCULO
"REALEJO"
Sábados e domingos de junho, no Teatro SESC Emiliano Queiroz (Duque de Caixias), às 20 horas.
O Bagaceira opta, desta vez, por um espetáculo de extrema delicadeza e poesia. O clima pode ser traduzido pelos elementos que permeiam a estória: cidade pequena, pracinha, pôr-do-sol, amor proibido, mar e, claro, realejo.
A bela Marina é prometida em casamento, por seus pais, ao homem mais afortunado e poderoso da região. Vê, porém crescer sua paixão por um jovem rapaz, gerando assim a aflição e o início de uma íntima desordem que poderá tirar a quietude daquela cidade pacata. Todos os fatos são nostalgicamente enlaçados pelo Homem do Realejo, que presenciou essa bela estória de amor.
O Realejo é enchente de beleza e delicadeza versando sobre o desejo, mostrando quem é que decide, quem tem a última palavra nessa casa bagunçada que é o corpo. Um desejo que é capaz de romper com compromissos ou conformidade.
Trata-se também de mais um aprofundamento na parceria do autor (Rafael Martins) com o diretor (Yuri Yamamoto), resultando num espetáculo rico em imagens poéticas, trazidas pela condução minuciosa de cada ator, revelando organicidade dos sentimentos mais sutis e dos corpos que se fundem a bonecos.
Saltam à vista o domínio da rima, a concepção cênica, a fluidez, e a sutileza das atuações. Tudo isso no grande propósito de unir graça e gravidade, e sempre com imensa poesia. Utilizando-se de elementos da tragédia, do épico e do teatro bunraku, aliados ao frescor da liberdade e ao auto-didatismo que acompanham a trajetória do grupo, O Realejo reafirma e amadurece tábula de rigor que o grupo construiu para si.
O REALEJO, Grupo Bagaceira de Teatro
Texto: Rafael Martins
Direção: Yuri Yamamoto
Elenco: Edivaldo Batista, Paula Yemanjá, Rafael Martins, Ricardo Tabosa, Rogério Mesquita, Sâmia de Lavor e Tatiana Amorim.
O MAR DE MARINA
Esta é Marina desenhada por Yuri Yamamoto. Ela é personagem principal do espetáculo O Realejo. Um espetáculo muito delicado, melancólico e poético. Não perca...
Soneto de Marina-
(Rafael Martins)
Cidade pequena, pracinha e mar
Marina cresceu, mergulhou em mim
O que o destino reserva no fim?
Sei lá, deixa o realejo tocar
Demoro pensando e algo me diz
Que o sol dessa terra queima mais forte
Que o tempo de agora anuncia a sorte
A felicidade está por um triz
Te espero, menina, não fiques triste
Na beira do mar quando o sol deitar
Feche lá seus olhos e me aviste
Ao sofrer, menina, ao querer chorar
Pense no amor, que ele sempre resiste
Jamais fica triste quem pode amar
Toni®cife
Fonte: Rafael Martins
enviada por Cenicas_pe
12/02/2005 00:59
IRMÃOS CORAGEM
Na infância, eles sempre foram meio outsiders. Adultos, viraram atores, mas preferiram o teatro e o cinema à tela global. Além dos olhos azuis, Chico e Enrique Diaz conquistam porque são aquele tipo de gente que não tem medo de expor as próprias falhas.
Os Diaz são um clã. Um clã que, como num filme de Walter Salles, peregrinou pela América Latina durante anos até aportar definitivamente no Brasil. Hoje, Chico, 45, e Enrique, 37, formam uma dupla singular no meio artístico. Os olhos azuis e a fisionomia forte não são o único elo. A sólida carreira artística construída sem o impulso quase sempre fundamental da televisão também carimba a biografia dos dois. Chico tem em seu currículo mais de 40 filmes entre eles Amarelo Manga, Benjamim e Os Matadores. Já Enrique ou Kike, como é conhecido também fez cinema, mas se firmou mesmo como diretor de teatro: A Paixão Segundo G.H ., monólogo baseado no romance de Clarice Lispector, foi das peças mais elogiadas do ano passado e agora vai ser apresentada na França.
Embora donos de um talento inquestionável, os irmãos Diaz são obviamente outsiders na profissão. E parecem não se incomodar com isso. Talvez porque, desde pequenos, se acostumaram à condição de estrangeiros. O avô era um general do Exército paraguaio pertencia a ele, aliás, a espada usada neste ensaio. Os pais ele paraguaio, ela paulista se conheceram num curso de inglês em Washington, nos Estados Unidos. A mãe, tradutora, era a única mulher num grupo de 40 alunos. O romance rolou firme em solo americano, mas depois ele voltou para Assunção e ela para Ribeirão Preto, interior de São Paulo. Durante um tempão, namoraram por cartas, conta Chico. Depois de casados, percorreram a América por conta do trabalho do patriarca.
Desde que se instalou definitivamente no Brasil, há 36 anos, a família Diaz vive num casarão no Jardim Botânico, bem embaixo do braço direito do Cristo, como Chico gosta frisa sempre que pode.
Chico foi o primeiro a seguir o caminho dos palcos ao se matricular, sem aviso prévio, num curso de teatro no Tablado a mais tradicional escola carioca de artes cênicas. Na época, fim dos anos 70, fazia arquitetura na UFRJ e achava que seu destino seria as pranchetas. Influenciado pelo irmão mais velho, Kike entrou para o grupo de teatro do São Vicente, mas só decidiria seguir carreira depois de concluir a faculdade de comunicação na PUC.

MULHERES ATRIZES
Como quase sempre acontece com quem vive nas coxias do palco e nos sets de cinema, os dois terminaram se casando com atrizes. Foi durante os meses em que passaram no sertão nordestino gravando gravaram Kenoma, em 98, que Kike começou a namorar a atriz Mariana Lima hoje sua mulher e mãe da primogênita Elena, de 4 meses.
Chico também se casou com uma atriz, Cecília Santana, com quem teve Antônio, hoje com 9 anos, e de quem se separou em 2002. Atualmente namora Sílvia Buarque, - ela mesma, a filha de Chico que, como a mãe Marieta, resolveu ser... atriz! Apesar dos olhos azuis e de ser filho de paraguaio com paulista, Chico ficou marcado por interpretar personagens nordestinos O ator também já foi muito escalado para fazer papel de mau, como o político safado que interpretou em Benjamim , de Monique Gardenberg. Agora estou evitando um pouco papéis assim porque isso marca muito. Do jeito que a criminalidade está, não quero fazer.

enviada por Cenicas_pe
06/01/2005 12:31
Projeto Janeiro de Grandes Espetáculos agita as Artes Cênicas no Recife
TEATRO DE SANTA ISABEL
Em sua décima primeira edição, o Janeiro de Grandes Espetáculos, o maior projeto de Artes Cênicas do Estado de Pernambuco, vai reunir, no período de 12 a 30 de janeiro, 53 espetáculos, totalizando 59 apresentações, entre os mais diferentes estilos da dança, teatro adulto e teatro para crianças de todas as idades, abrindo ainda espaço para shows musicais da SpokFrevo Orquestra. A programação, com destaque para montagens que cumpriram temporada em 2004, além de convidados de outros Estados (Bahia, Rio Grande do Norte, Ceará, Paraíba, Rio de Janeiro e São Paulo), estará distribuída pelo Teatro de Santa Isabel, Teatro do Parque, Teatro Armazém e Teatro Hermilo Borba Filho, este último recebendo uma Mostra Paralela com companhias recentes ou não, que vêm investindo em espetáculos quase todos experimentais, de cunho mais intimista.
Com ingressos populares a R$ 10 e R$ 5 (artistas, estudantes e maiores de 65 anos), o Janeiro de Grandes Espetáculos é uma realização da APACEPE (Associação dos Produtores de Artes Cênicas de Pernambuco), numa parceria entre os produtores Paulo de Castro, Paula de Renor e Carla Valença. O evento promove ainda uma série de discussões culturais (entre os temas, Jornalismo Cultural, Produção nas Artes Cênicas e Políticas Públicas para Dança), debates críticos sobre os espetáculos - pela primeira vez na história do projeto e uma inédita Mostra de Teatro da Terceira Idade, a ocupar o palco do Teatro do SESC de Santo Amaro, com ingressos ao preço único de R$ 5 (cinco reais). Os trabalhos foram dirigidos por Wellington Júnior, Cláudio Rocha em parceria com Breno Fittipaldi e Carlos Varela.
Também serão apresentadas duas leituras dramatizadas no Teatro Arraial, a R$ 1 (hum real), com textos inéditos do dramaturgo, ator, diretor teatral, pesquisador e arte-educador Marco Camarotti, falecido em outubro último (A Deusa Grávida, sob a direção de Cláudio Rocha e produção do SESC/PE e Rififi no Picadeiro ou Hoje Tem Espetáculo!, com produção da UFPE e direção de Adriano Macena). E para não esquecer da reciclagem artística, 13 oficinas de teatro, dança e produção cultural serão oferecidas durante todo o projeto, com preços que variam do gratuito até R$ 100 (cem reais). As inscrições podem ser feitas no SATED (Casa da Cultura, Raio Oeste, 2° andar. Tel. 3424 3133).
O homenageado desta versão é o ator e cenógrafo Octávio Catanho, mais conhecido como Tibi e que desde 1949 dedica-se a arte teatral. Tibi foi um dos pioneiros da Paixão de Cristo, inicialmente no bairro de Água Fria, até ser convidado para a Paixão na vila de Fazenda Nova. Hoje, além de ser o principal cenógrafo da Paixão da Nova Jerusalém, atua no elenco da Paixão de Cristo do Recife como Pilatos, personagem que interpreta desde 1978, ainda nos vínculos com a Paixão da Nova Jerusalém. Ele também é responsável pelos cenários da Batalha dos Guararapes, O Calvário de Frei Caneca e, mais recentemente, Noite Feliz. Como ator, destaque para seu personagem Severino do Aracaju na primeira versão do Auto da Compadecida, em 1956, papel que o fez integrar o elenco da mesma peça na versão do Teatro Cacilda Becker, com turnê por Portugal. Tímido que só ele, Tibi é um dos artistas mais queridos do mercado teatral.
IMPORTANTE: O patrocínio deste XI Janeiro de Grandes Espetáculos é da CHESF, Celpe, Funcultura/Governo do Estado de Pernambuco, Prefeitura do Recife e Lei Rouanet. Apoio: SESC, Sebrae, SATED/PE, Centro Apolo-Hermilo e Gráfica Santa Marta. Informações: 3421 8456 / 3423 3186 ou apacepe@bol.com.br. Vale lembrar que todos os espetáculos que estrearam e cumpriram temporada em 2004 concorrem ao Prêmio APACEPE de Teatro e Dança, com festa de encerramento dia 14 de fevereiro, no Teatro do Parque.
Para entrevistas: Paula de Renor 9252 5911, Paulo de Castro 9168 8753 ou Carla Valença 9232 5850.
OFICINAS
A Linguagem Cênica do Contador de Histórias - José Mauro Brant (RJ)
Iniciação à Interpretação - José Pimentel (PE)
Maquiagem Teatral em 5 Atos João Denys (PE)
Luz: Invenção ou Re-Invenção? Guilherme Bonfanti (SP)
Do Improviso ao Texto: o Ator e Suas Relações com o Papel Fernando Limoeiro e Magdale Alves (MG/PE)
Ritmos e Danças de Pernambuco Pedro Salustiano (PE)
Dança Contemporânea: Corpo e Identidade - Luiz de Abreu (SP)
Dança Clássica Joel de Oliveira (SP)
Dança Contemporânea Andréa Anhaia (MG)
Samba-Dança, Gafieira e Coisa e Tal João Carlos Ramos (RJ)
Dança Clássica Maria Cristina (Cuba)
Workshop: Formatação de Projetos Culturais e Busca de Patrocínios - Sônia Kavantan (SP)
Funcultura: Elaboração de Projetos e Prestação de Contas Jaime Galvão e vários auditores (PE)
XI JANEIRO DE GRANDES ESPETÁCULOS
TEATRO DE SANTA ISABEL
Dias 12 e 13, 20h
Baile do Menino Deus Relicário Produções Culturais
Dia 14, 20h
Lesados Grupo Bagaceira de Teatro (CE)
Dia 15, 20h
Muito Barulho Por Quase Nada Clowns de Shakespeare (RN)

Dia 16, 20h
Angu de Sangue André Brasileiro e Boca de Cena Produções

Dias 19 e 26, 20h
Passo de Anjo SpokFrevo Orquestra
Dia 20, 20h
Caetana Lívia Falcão e Fabiana Pirro
Dia 21, 20h
O Samba do Crioulo Doido - Ateliê de Coreógrafos/Luiz de Abreu (SP)
Dia 22, 20h
Guiomar, a Filha da Mãe Cia. Parcas Sertanejas
Dia 23, 20h
Rua do Lixo, 24 Grupo Feira de Teatro Popular (Caruaru/PE)
Dia 25, 20h
Plural Brasil Bacnaré
Dia 27, 20h
Labirindo Cia. dos Homens
Dia 28, 20h
Samba no Canavial Página 21, Pedro Salustiano e Arnaldo Siqueira
Dia 29, 20h
Postais do Recife Grupo Experimental
Dia 30, 20h
Luz/Festejos: Projeto Circuladança Sem Censura Cia. de Dança e Balé Popular da UFPB
TEATRO ARMAZÉM
Dia 13, 20h
Disso que Chamam Bom Senso Escambo Cia. de Criação
Dia 14, 20h
Contrastes Compassos Cia. de Danças
Dia 15, 16h30
O Vendedor de Caranguejo Trupe Circus/ONG Escola Pernambucana de Circo
Dia 15, 20h
Espiral Brinquedo Meu Terreiro Produções
Dia 16, 20h
Cercados Cia. Vias da Dança
Dia 20, 20h
Vermelho - Ateliê de Coreógrafos/Saulo Uchôa (BA/PE)
Dia 21, 20h
Um Morto Que Viveu Cia. Os Fora da Casinha
Dias 22 e 23, 20h
Paixões da Alma Produção Mais Patadas (SP)
Dia 27, 20h
Annexo Secreto Cia. do Teatro Rasgado

Dia 28, 20h
Chá de Cogumelo: Um Conto de Fadas Grupo Dimenti (BA)
Dia 29, 20h
A Novela do Murro Grupo Dimenti (BA)
Dia 30, 20h
Nero Engenho de Teatro
TEATRO DO PARQUE
Dia 14, 20h
Auto da Compadecida Dramart Produções
Dia 15, 16h30
Arlequim Remo Produções Artísticas
Dias 15 e 16, 20h
Balé Popular Nação Pernambuco Trans Ações Culturais e Nuclearte
Dia 16, 10h
Sonho de Primavera Chocolate Produções
Dia 16, 16h30
O Circo de Seu Bolacha Refletores Produções e Pedro Dias Produções
Dia 21, 20h
As Três Porquinhas Trupe do Barulho
Dia 22, 16h30
Espelho, Espelho Meu... - Cia. de Teatro Rataplan
Dia 22, 20h
Mostra de Dança em Homenagem a Shiro Criart Cia. de Dança, Carolemos Dançarte, Faculdade Salesiana, Ária Espaço de Dança e Arte, Laiz Sena Cia. de Dança, Cia. de Dança Árabe Hannah Costa, Stúdio de Danças, Academia Nelma Guerra e Academia Maysa
Dias 23 e 30, 10h
A Bela Adormecida Chocolate Produções
Dia 23, 16h30
Grande Circo em Presente de Palhaço Métron Produções
Dias 23 e 30, 20h
Nordeste, a Dança do Brasil Balé Popular do Recife
Dia 28, 20h
Vida Privada Ana Montarroyos e Flávio Barra
Dia 29, 16h30
Um Brasil de Histórias José Mauro Brant (RJ)
Dia 29, 20h
Velório à Brasileira MAKTUB Produções (Caruaru/PE)
Dia 30, 16h30
Um Livro de Fábulas Teatro Marco Zero
TEATRO HERMILO BORBA FILHO
MOSTRA PARALELA
Dia 14, 18h30
A Cantora Careca Grupo Teatral Arte em Foco
Dia 15, 18h30
Atravessando o Tempo - Totem
Dia 16, 18h30
O Noviço Grupo Naja/Núcleo Artes de Jaboatão (Jaboatão dos Guararapes/PE)
Dia 21, 18h30
Frei Molambo Grupo Cínicos de Cênicas (Garanhuns/PE)
Dia 22, 18h30
Vozes do Recife: Um Concerto Poético Cia. Fiandeiros de Teatro
Dia 23, 18h30
Urbano - Laboratório
Dia 28, 18h30
Ofendi? Galiana Brasil e Kleber Lourenço
Dia 29, 18h30
O Alienista Galharufas Produções
Dia 30, 18h30
Diante da Lei - Conjunto Dramático Pátio da Fantasia
TEATRO DO SESC DE SANTO AMARO
MOSTRA DE TEATRO DA TERCEIRA IDADE
Dia 19, 19h
As Viúvas Grupo Sedução de Teatro da Terceira Idade/SESC Piedade
Direção Wellington Júnior
Dia 20, 19h
Citonho e Zé Limeira Contra a Besta do Estopô Grupo Vitalidade de Teatro da Terceira Idade/SESC Casa Amarela
Direção Cláudio Rocha e Breno Fittipaldi
Dia 23, 19h
O Encontro de Antônio Cobra Choca com o Sertanejo Valente Grupo Talentos da Terceira Idade
Direção Carlos Varela
DISCUSSÕES CULTURAIS
FUNDAJ - DERBY
Dia 18, 14h30 às 18h30
Jornalismo Cultural - Israel do Vale (editor da Revista Cultura e Mercado/SP) e editores dos jornais locais
Dia 18, 19 às 22h
Produção nas Artes Cênicas - Rômulo Avelar (Grupo Galpão/MG), Guilherme Bonfanti (Teatro da Vertigem/SP) e Ulisses Dornelas (Chocolate Produções/PE)
Dia 19, 09 às 12h
Dança Contemporânea e a Estética Dominante - Dulce de Aquino (diretora da UFBA), Sônia Sobral (diretora do Departamento de Dança do Itaú Cultural/SP) e Valéria Vicente (Acervo RecorDança/PE)
Dia 25, 15h
Jornalismo Cultural e Dança no Brasil - Helena Katz (crítica de Dança do jornal O Estado de São Paulo)
Dia 25, 19 às 22h
Políticas Públicas para Dança - Marcos Morais (coordenador de Dança da Funarte) e representantes do Governo do Estado de Pernambuco e Prefeitura do Recife
LEITURAS DRAMATIZADAS TEXTOS INÉDITOS DE MARCO CAMAROTTI
TEATRO ARRAIAL
Dia 19, 19h
A Deusa Grávida - Direção Cláudio Rocha. Produção SESC/PE
Dia 26, 19h
Rififi no Picadeiro ou Hoje Tem Espetáculo! Direção Adriano Macena. Produção UFPE Proext
LEIDSON FERRAZ (assessoria de comunicação) 9292 1316 / 3222 0025 / 3421 8456.
enviada por Cenicas_pe
11/11/2004 01:34
VII Festival de Teatro do Recife oferece programação variada em 16 dias
Começou nesta segunda-feira o VII Festival Recife do Teatro Nacional, evento que segue as tradições dos últimos anos e transforma cinco teatros e três espaços alternativos no palco das artes cênicas. Até o dia 23 de novembro, são 16 espetáculos em 34 apresentações e mais quatro workshops, dois cursos, um lançamento de livro, duas leituras dramáticas e um ciclo de reflexões que reúne sete palestras.
Serão 16 dias de arte encenados no Teatro de Santa Isabel, Parque, Apolo, Hermilo Borba Filho e Barreto Júnior, Forte do Brum, Livraria Cultura e Fundaj. Sob a temática Identidade e Contemporaneidade, o evento homeangeia o dramaturgo pernambucano Luiz Marinho, natural de Timbaúba, escritor de 14 peças, que faleceu em fevereiro de 2002.
Além de Pernambuco, os espetáculos vêm da Bahia, Paraná e Minas Gerais.
Confirmando a política de levar a cultura ao povo, os ingressos desta edição terão preco de R$ 5 (Santa Isabel, Apolo, Hermilo e Forte do Brum) e R$ 1 (no Parque e Barreto Júnior). Durante a apresentação do projeto Aprendiz Encena, a entrada sai por R$ 3. As palestras e cursos do festival serão gratuitos.
O VII Festival Recife do Teatro Nacional é uma realização da Prefeitura do Recife, através da Secretaria de Cultura e Fundação de Cultura Cidade do Recife, com patrocínio da Eletrobras, Caixa Econômica Federal e Chesf.
JANAÍNA LIMA
Temporada de risos, combinando com o perfil do homenageado, o dramaturgo Luiz Marinho. Essa é a previsão para o 7º Festival Recife do Teatro, anunciada ontem pela manhã pela Prefeitura do Recife. O evento organizado pela Secretaria de Cultura começa na próxima quinta, dia 11, com 16 espetáculos e várias atividades paralelas, entre workshops, leituras dramáticas e cursos. Só para abrir o apetite: depois de um jejum de seis anos, o mineiro Grupo Galpão volta à programação com uma montagem de O Inspetor Geral, de Gogol.
A maratona teatral tem como tema identidade e contemporaneidade, tratado a partir de montagens que priorizam o teatro narrativo e do ator-narrador. Esse festival foi pensado também para fazer pensar. Levar o público a refletir sobre a realidade que o cerca, o momento real, destaca Antonio Cadengue, coordenador geral da mostra.
ATRAÇÕES Corrigindo uma falha que sempre atrapalhou a curadoria do evento, que tem à frente o diretor teatral Aimar Labaki, o festival consegue trazer para a cidade importantes grupos do País que sempre esbarravam na falta de verba para virem ao Recife, devido a terem elenco numeroso, ou ao aparato técnico (excesso de cenários, figurinos, etc).
Só assim foi possível trazer, por exemplo, A Mulher do Trem uma das comédias de maior sucesso do ano em SP , Sinfonieta Braguinha (com nada menos que 11 atores) e O Que diz Molero maratona de três horas e 20 minutos, com uma cenário pesadíssimo de dezenas de arquivos velhos de ferro). As duas últimas destacaram-se na temporada carioca.
O mais curioso é que o incremento no orçamento do festival não foi nem tão grande assim, aproximadamente R$ 100 mil, totalizando R$ 590 mil. Prefeitura do Recife, Eletrobras, Caixa Econômica e Chesf foram os que abriram a carteira.
O público pernambucano vai ter a oportunidade também de conferir o trabalho de intérpretes que nunca estiveram por essas bandas, a exemplo de Gero Camilo, que viveu o personagem Sem Chance, par de Rodrigo Santoro no filme Carandiru. Ele vem com duas montagens: Aldeotas e A Procissão.
Outro que vem em duas versões é o pernambucano Newton Moreno. Ele, que atualmente monta em São Paulo a versão teatral de Assombrações do Recife Velho,de Gilberto Freyre, atua em A Mulher do Trem e assina o texto comovente de Agreste. Essa última, um relato tocante sobre a dificuldade de falar do nordestino, o jeito meio bicho-do-mato de viver, e as violências que são cometidas por ignorância. Mas com muita poesia.
Além da escrita de Newton, Pernambuco marca presença no festival com três produções: Caetana (texto de Moncho Rodrigues em parceria com Weydson Barros Leal), A Filha da Mãe (com Augusta Ferraz e Márcio Carneiro) e o infantil Um Livro de Fábulas (produção do estreante Teatro Marco Zero que vem surpreendendo).
NO PALCO
O Inspetor Geral (Grupo Galpão, MG) de 11 a 13, no T. Santa Isabel.
Caetana (Moncho Rodriguez) dias 12 e 13, no T. Apolo
A Procissão (Paltôproduções, SP) dias 13 e 14, T. Hermilo
Sinfonieta Braguinha (Karen Acioly, RJ) dias 14 e 15, no T. do Parque
Aldeotas (Platôproduções, SP) dias 15 e 16, no T. do Parque
Comédia do Fim (TCA, BA) dias 16 e 17, T. Santa Isabel
Agreste (Newton Moreno) dias 16 e 17, T. Apolo
Guiomar, a Filha da Mãe (Cia. Parcas Sertanejas, PE) dias 17 e 18, T. Hermilo
A Mulher do Trem (Os Fofos Encenam, SP) dias 18 e 19, T. do Parque
O Que Morreu Mas Não Deitou? (Francisco Medeiros, SP) de 16 a 19, Forte do Brum
Carta Aberta (Fernando Kinas, PR) dias 19 e 29, T. Apolo
Um Livro de Fábulas (Teatro Marco Zero, PE) dias 20 e 21, T. Barreto Jr.
O Que Diz Molero (Aderbal Freire, SP) dias 20 e 21, T. Santa Isabel
(© JC Online)
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PROGRAMAÇÃO
Teatro Hermilo Borba Filho
08/11
21h
Projeto Aprendiz Encena Corpo Corpóreo Texto de Luiz Marinho
Direção - Sidmar Gianette
Ator: Adelson Dornellas
09/11
21h
Projeto Aprendiz Encena Corpo Corpóreo Texto de Luiz Marinho
Direção: Andrezza Alves
Atores: Ana Maria Ramos, Hilton Azevedo e Mariana Lima Leal
10/11
10h
Encontro com com Michelle Panella / Intercity Festivale e Teatro Della Limonaia Florença Itália.
10/11
19h
Lançamento do Livro Luiz Marinho: O Sábado que Não Entardece de Anco Márcio
10/11
21h
Projeto Aprendiz Encena Corpo Corpóreo Texto de Luiz Marinho
Direção - André Cavendish
Ator: Jones Melo
11/11
18h
Abertura do workshop O Ator-Narrador
13 e 14
21h
Espetáculo A Procissão SP
17 e 18
21h
Espetáculo Guiomar, a Filha da Mãe PE
19/11
16h
Encontro com Antônio Augusto Barros / Diretor da Cena Lusófona / Lisboa - Portugal
20/11
15h
Avaliação do workshop O Ator-Narrador
Teatro de Santa Isabel
11/11
21h
Abertura oficial do VII Festival Recife do Teatro Nacional
Homenagem a Luiz Marinho
Espetáculo O Inspetor Geral - MG
12 e
13/11
21h
Espetáculo O Inspetor Geral - MG
16 e 17/11
21h
Espetáculo A Comédia do Fim - BA
20 e 21/11
19h
Espetáculo O que diz Molero - RJ
Teatro Apolo
12 e 13/11
21h
Espetáculo - Caetana - PE
14/11
19h
Leitura Dramática A Valsa do Diabo texto de Luiz Marinho.
Direção Roberto Lúcio PE
Ator e encenador. Licenciatura em Teatro e Bacharelado em Direção Teatral pela UFBA. Coordenador do Teatro Joaquim Cardozo, do Departamento de Cultura da UFPE. Diretor artístico da Theodora Lins e Silva Cia. de Teatro.
Sinopse - Um casamento, um noivo que se acredita traído, uma festa que recebe a visita ilustre e inesperada do Diabo, o embate com a Virgem Maria. Eis os ingredientes que alinham esse drama-opereta de Luiz Marinho, onde o riso e a tragédia andam lado a lado.
16 e 17/11
21h
Espetáculo - Agreste - PE
19 e 20/11
21h
Espetáculo Carta Aberta PR
21/11
10h
Avaliação do festival/ Clóvis Massa RS
Clóvis Massa é professor de Teoria e História do Teatro na UFRGS, em Porto Alegre, onde é Vice-Coordenador do Curso de Especialização Teoria do Teatro: Cena Contemporânea. Mestre em Artes Cênicas (ECA/USP), atualmente cursa Doutorado em Teoria da Literatura (PUCRS).
Teatro Barreto Júnior
15 e 16/11
21h
Espetáculo Aldeotas SP
19/11
19h
Leitura Dramática As Três Graças- Luiz Marinho.
Direção de Luiz Marfuz BA
Diretor Teatral, Mestre em Comunicação e Cultura Contemporâneas (UFBA), Doutorando em Artes Cênicas (UFBA). Jornalista e Professor da Escola de Teatro (UFBA). Atualmente, desenvolve uma pesquisa sobre a poética da destruição do teatro Samuel Beckett.
Sinopse - Três velhinhas aparentemente caducas, uma preceptora e uma jovem que tenta zelar pelo bem-estar de todas. Estes são as principais personagens de uma comédia que discorre sobre fatos inusitados e situações que beiram ao surreal, nesta que, talvez, seja uma das mais importantes comédias do teatro brasileiro.
20 e 21/11
16h
Espetáculo infantil - Um livro de fábulas
Teatro do Parque
14 e 15/11
16h
Espetáculo infantil Sinfonieta Braguinha RJ
18 e 19/11
21h
Espetáculo - A mulher do t
rem - SP
Forte do Brum
16,17,18 e 19/11
18h30
Espetáculo - O que morreu mas não deitou ? SP
Cursos
Fundação
Joaquim Nabuco
Instituto de Cultura.
Rua Henrique Dias, 609 - Derby. Fone: 34213266.
PERÍODO: de 12 a 17/11
HORÁRIO: 14h às 18h.
NÚMERO DE VAGAS: máximo de 15 participantes
Exercícios de crítica teatral
INSTRUTOR: KIL ABREU (SP)
Pesquisador, crítico e jornalista. Foi crítico de teatro do jornal Folha de São Paulo, é membro da APCA (Associação Paulista de Críticos de Arte) e faz parte do júri do Prêmio Shell de Teatro. Coordenou o projeto artístico e pedagógico da Escola Livre de Santo André e atualmente dirige o Departamento de Teatro da Secretaria Municipal da Cultura de São Paulo.
A oficina tem como foco a discussão sobre a prática da crítica teatral sobretudo a jornalística sua função social, modos, questões e impasses. Para tal, estarão em pauta alguns temas referentes aos métodos de análise do espetáculo e às teorias do teatro contemporâneo.
OBJETIVO: oferecer subsídios teóricos e exercitar, na prática da escrita, a apreciação do espetáculo teatral segundo as especificidades da cena brasileira, no recorte apresentado no Festival Recife.
Fundação
Joaquim Nabuco
Instituto de Cultura.
Rua Henrique Dias, 609 - Derby. Fone: 34213266.
PERÍODO: de 13 a 16/11
HORÁRIO: 14h às 18h
NÚMERO DE VAGAS: máximo de 35 participantes
ERUDITO E POPULAR NO TEATRO DO SÉCULO XX BAKHTIN, SUASSUNA E O TEATRO DE HOJE
INSTRUTORA: ELENA VÁSSINA (SP).
Pós-doutorado no Instituto Estatal de Pesquisa da Arte (Moscou/Rússia), Doutora em Artes Cênicas; Mestre em Letras Faculdade de Letras da Universidade Estatal de Moscou. É autora de vários ensaios sobre os problemas da linguagem artística das artes cênicas do teatro do século XX, sobre dramaturgia, teatro e cultura do Brasil e da Rússia. Curadora Artística do Festival Internacional de Teatro Tchekhov/Moscou/Rússia (2004/1997). Membro do Conselho Consultivo do Encontro Internacional de Artes Cênicas ARTICEN (2004/2001). Professora Doutora da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP.
OBJETIVO:
Através de um breve percurso histórico na cultura universal, definir os dois tipos da produção artística - erudita e popular - e suas principais características estéticas. Analisar os caminhos da aproximação do teatro profissional com a linguagem popular e as conseqüências desse re-encontro do palco moderno com as tradições populares. Traçando as ligações entre as inovações mais significativas da cena contemporânea com as formas da cultura popular, discutir as artes cênicas de hoje.
Workshops
Forte do Brum
Praça Comunidade Luso Brasileira S/N. Fone: 3224.4620
PERÍODO: de 13 a 20/11
Turma 1: das 9 às 13h
Turma 2: das 14 às 18h
NÚMERO DE VAGAS: 20 intérpretes (10 em cada turma); 10 dramaturgos
(5 em cada turma).
O ATOR-NARRADOR
INSTRUTORES:
FRANCISCO MEDEIROS (SP)
Bacharel em Teatro pela Escola de Comunicações e Artes-ECA/Universidade de São Paulo, com especializações em Direção Teatral, Crítica e Dramaturgia. Cursando o Mestrado no Deptº de Comunicação e Semiótica da PUCSP. Dirigiu os espetáculos: SUBURBIA, de Eric Bogosian; HAMLET, de William Shakespeare; COMO VENTO, de Luis Alberto de Abreu; ARTAUD, O ESPÍRITO DO TEATRO, de José Rubens Siqueira Prêmio Molière de Melhor Diretor, Prêmio INACEN de Melhor Espetáculo, Prêmio Governador do Estado de Melhor Espetáculo; PRÊMIO DE TEATRO FÍSICO Cultura Inglesa de São Paulo; indicação de melhor direção para: o prêmio PANAMCO DE TEATRO JOVEM em 2001, o prêmio SHELL em 2000 e em 2003, dentre outros.
MARCOS DAMIGO (SP)
Ator, pela Escola de Arte Dramática/ECA/USP. Alguns trabalhos no teatro: HAMLET, dir. Francisco Medeiros; SUBURBIA, dir. Francisco Medeiros; CABRA (texto de sua autoria); dentre outros. No cinema: BELLINI E A ESFINGE, de Toni Belloto e Nando Oliva; SONHOS TROPICAIS, de André Sturm. Na TV: professor Miguel, no seriado Sandy & Júnior; novela FASCINAÇÃO (protagonista); VOCÊ DECIDE; dentre outros.
PLÍNIO SOARES (SP)
Ator, formado pela Escola de Arte Dramática/ECA/USP. É publicitário (Escola Superior de Marketing e Propaganda). Alguns trabalhos no teatro: PROVA CONTRÁRIA, dir. Débora Dubois; LÁGRIMA DE VIDRO, dir. Jairo Mattos; ESTAÇÃO PARAÍSO, dir. Francisco Medeiros; BONITA LAMPIÃO, texto e dir. Renata Melo (indicado para o Prêmio Shell de Melhor Ator); HAMLET, dir. Ulisses Cruz; dentre outros. No cinema atuou em EQUILÍBRIO E GRAÇA, de Carlos Reichenbach; DOMÉSTICAS, de Fernando Meireles; VIVA VOZ, de Paulo Morelli.
OBJETIVO: Propiciar uma troca de experiências entre atores e dramaturgos e os integrantes do Projeto PODE ENTRAR QUE A CASA É SUA, projeto de estudo e pesquisa a respeito do teatro narrativo e do ator-narrador desenvolvido em São Paulo em 2003/2004.
TEATRO APOLO
Rua do Apolo, 121 Bairro do Recife
Fone: 2334.1114
PERÍODO: 16 e 17/11
HORÁRIO: das 9 às 13h
NÚMERO DE VAGAS: máximo de 25 intérpretes.
O Trabalho do Ator Contemporâneo O Corpo no Teatro
Instrutora : Cristiane Paoli Quito
Há vinte anos dedica-se ao teatro, trabalhando como atriz, produtora, iluminadora e diretora. No seu trabalho de direção, a pesquisa de linguagem é tônica principal. Atualmente dirige a Cia. Nova Dança 4, em São Paulo e dirigiu o espetáculo Aldeotas de Gero Camilo, que acaba de receber 04 indicações para o Prêmio Shell 2004 (autor/ator/diretor/iluminação).
OBJETIVO: Propiciar a conscientização cênica, sua expansão e comunicação através do jogo teatral e da respiração, além das codificações de imagens e sensação do corpo no espaço.
Teatro Apolo
PERÍODO: 18 e 19/11
HORÁRIO: Das 9 às 13h
NÚMERO DE VAGAS: máximo de 20 (vinte) pessoas.
O Trabalho do Ator Contemporâneo Experimentando Beckett II
Instrutor : Luiz Marfuz
Diretor Teatral, Mestre em Comunicação e Cultura Contemporâneas pela Faculdade de Comunicação da UFBA, Doutorando em Artes Cênicas pela UFBA, Jornalista e Professor da Escola de Teatro da UFBA. Atualmente, desenvolve pesquisa sobre a poética da destruição no teatro de Samuel Beckett.
OBJETIVO: A partir de uma pesquisa que vem sendo desenvolvida sobre a encenação no teatro de Beckett, no Doutorado em Artes Cênicas da Universidade Federal da Bahia, e da experiência com a encenação dos dramatículos do autor, no espetáculo Comédia do Fim, o professor e diretor teatral Luiz Marfuz desenvolve um workshop sobre o trabalho do ator. Neste encontro, alguns princípios operadores da cena não-ilusionista servirão de guia para um breve diálogo com os atores, dentro de uma perspectiva de contínua investigação sobre a interpretação e a materialidade cênica em montagens de textos do dramaturgo e encenador irlandês.
TEATRO APOLO
PERÍODO: 22 e 23/11
HORÁRIO: das 10 às 14h
NÚMERO DE VAGAS:
Máximo de 20 (vinte) pessoas para o trabalho prático e de 50 (cinqüenta) pessoas mais, que podem acompanhar o workshop.
O Trabalho do Ator Contemporâneo O Ator-Narrador
Instrutor : Aderbal Freire-Filho
Aderbal Freire-Filho criou espetáculos no Rio de Janeiro, São Paulo, Porto Alegre, Curitiba, Buenos Aires, Montevidéu, Amsterdã e Madri. A mulher carioca aos 22 anos, de 1990, foi o primeiro espetáculo que chamou de romance-em-cena. Ganhou os prêmios Molière, Mambembe, Shell, Golfinho de Ouro, entre outros. Publicou Conversaciones con un director de teatro, ed. Banda Oriental, de Montevidéu (edição brasileira, ed. Inacen). Seus últimos espetáculos: Cãocoisa e a coisa homem (texto e direção), Tio Vânia (de Tchecov), Casa de Boneca (de Ibsen) e a ópera Baile de Máscaras (Verdi), no Teatro Municipal, do Rio. Tem em cartaz, neste momento, no Teatro Dulcina, Rio, Dilúvio em tempos de seca, texto de Marcelo Pedreira, com Giulia Gam e Wagner Moura.
CICLO DE REFLEXÕES
Identidade e contemporaneidade
Livraria Cultura
Dias 14, 16, 17, 18, 19 e 20 de novembro - sempre das 10 às 13h
14.11
Erudito e Popular no Teatro Contemporâneo
Análise de dois sistemas estéticos diferentes: o de criação erudita e o de criação popular
Palestrante: Elena Vássina - Pós-doutorado no Instituto Estatal de Pesquisa da Arte (Moscou/Rússia), Doutora em Artes Cênicas; Mestre em Letras Faculdade de Letras da Universidade Estatal de Moscou. É autora de vários ensaios sobre os problemas da linguagem artística das artes cênicas do teatro do século XX, sobre dramaturgia, teatro e cultura do Brasil e da Rússia. Curadora Artística do Festival Internacional de Teatro Tchekhov/Moscou/Rússia (2004/1997). Membro do Conselho Consultivo do Encontro Internacional de Artes Cênicas ARTICEN (2004/2001). Professora Doutora da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP.
Debatedora: Maria da Piedade Sá - Mestra em Filologia Românica na Universidad Complutense de Madrid (Espanha), Doutora em Língua Portuguesa na Universidade de São Paulo USP. Professora do Programa de Pós-Graduação do Departamento de Letras da UFPE.
15.11
A Novíssima Dramaturgia*
Panorama da dramaturgia brasileira da última década, do ponto de vista de suas principais tendências.
Palestrante: Silvana Garcia - Pesquisadora e dramaturgista; doutora em Artes Cênicas; professora de Teoria do Teatro da Escola de Arte Dramática, e professora-orientadora no programa de Pós-Graduação do Departamento de Artes Cênicas (Escola de Comunicações e Artes/Universidade de São Paulo); diretora da Divisão de Pesquisas Idart, do Centro Cultural São Paulo.
Debatedores:
Newton Moreno - Mestre pela USP. Bacharel em Artes Cênicas pela Unicamp. É autor das peças: Deus sabia de tudo e não fez nada, Dentro (que participou da Mostra da Dramaturgia Contemporânea do SESI em 2002), A cicatriz é a flor, Agreste (indicado ao Prêmio Shell de Melhor Autor 2004). Recebeu Bolsa Vitae de Artes (2003) para adaptação teatral do livro Assombrações do Recife Velho, de Gilberto Freyre. Atualmente integra o elenco da peça A mulher do trem, dirigida por Fernando Neves com o grupo Os Fofos (Prêmio de Melhor Ator do Festival de Teatro de São José dos Campos em 2003).
Gero Camilo - Ator e Poeta-Dramaturgo (Escola de Arte Dramática USP). Autor de A Macaúba da Terra, A procissão, Aldeotas. Como ator, trabalhou no Cinema (Carandirú, dir. Hector Babenco; Bicho de sete cabeças, dir. Laís Bodanzky Vencedor do Festival Brasília do Cinema Brasileiro e do Festival de Cinema de Recife/2001 recebeu, em ambos, o Prêmio de Melhor Ator Coadjuvante); no teatro (A procissão, texto, direção e atuação; Tartufo, ou O Impostor, de Molière, dir. José R. Siqueira; O Macaco Peludo, de Eugene O´Neil, dir. Celso Frateschi); na televisão (As aventuras de Chico Norato contra o Boto Vingativo (2001), episódio da série BRAVA GENTE, dir. Jayme Monjardim); dentre outros
Luiz Felipe Botelho - Ator, dramaturgo, programador visual, diretor e roteirista de vídeos, colunista da vesão on-line do Jornal do Commercio (PE). Principais obras: Janos Adler (premiado 3º lugar festival Nacional de Dramaturgia, 1991 Fundação Brasileira de Teatro); Menino Minotauro e Reis Andarilhos (Prêmio Hermilo Borba Filho FUNDARPE 1991 e 1992); Lembrem-se de Lilith, Coiteiros de Paixões (selecionado para a II Mostra de Dramaturgia Contemporânea SESI/SP). Na FUNDAJ (Massangana Multimídia Produções) realizou Série 500 Anos; série Portais da Criação; documentário Crianças no Furacão, exibido pela TV Câmara.
17.11
* acontecerá no Teatro Hermilo Borba Filho no mesmo horário
Pensando (e dirigindo) Beckett no Nordeste Hoje
Perspectivas para um diálogo sobre as possibilidades e estratégias de encenação no teatro de Beckett hoje.
Palestrante: Luiz Marfuz - Diretor teatral, Mestre em Comunicação e Cultura Contemporâneas (UFBA), Doutorando em Artes Cênicas (UFBA), Jornalista e Professor da Escola de Teatro (UFBA). Atualmente, desenvolve uma pesquisa sobre a poética da destruição no teatro de Samuel Beckett.
Debatedor: João Denys Araújo Leite - Ator, diretor, cenógrafo. Mestre em Teoria da Literatura (UFPE). Professor do Departamento de Teoria da Arte e Expressão Artística (UFPE). Principais obras: A Pedra do Navio; Ecce Homo; Deus Danado; Flores DAmérica; Um teatro da morte (sobre a dramaturgia de Joaquim Cardozo). Encenou Fim de Jogo e Esperando Godot, de Samuel Beckett.
18.11
Literatura Comparada e Globalização: o compromisso da intuição fronteiriça
O papel da literatura e da crítica literária na contemporaneidade global.
Palestrante: Roland Walter - Pesquisador, Professor Adjunto do Departamento de Letras da UFPE e Doutor em Filologia na Johannes Gutemberg Universität em Mainz, Alemanha. Autor de dois livros Magical Realism in Contemporary Chicano Fiction (Frankfurt:: Vervuert, 1993) e Narrative Identities: (Inter)Cultural In-Betweenness in the Americas (New York/Frankfurt: Peter Lang, 2003). Atual coordenador do Núcleo de Estudos Canadenses na UFPE e do grupo de Pesquisa Literatura e cultura multiética dos Estados Unidos, com o qual organizou em dezembro 2003 o I Seminário América-Amércias: Cultura, Poder e Identidade.
Debatedor: Alfredo Cordiviola - Doutor em Letras pela University of Nottinghan, Inglaterra. Professor do Departamento de Letras (UFPE). Publicou Uma história do tempo; Antônio Vieira e os limites da profecia (1998); Richard Burton, a traveller in Brazil (2001); A Câmara de Ecos; Ensaios sobre Roland Barthes (org. 2003).
19.11
Produção Contemporânea e Formação de Platéias
Abordagem das experiências na Escola Livre de Santo André e formação de público da Prefeitura de São Paulo.
Palestrante: Kil Abreu - Pesquisador, crítico e jornalista. Foi crítico de teatro do jornal Folha de São Paulo. É membro da APCA (Associação Paulista de Críticos de Arte) e faz parte do júri do Prêmio Shell de Teatro. Coordenou o projeto artístico e pedagógico da Escola Livre de Santo André e atualmente dirige o Departamento de Teatro da Secretaria Municipal da Cultura de São Paulo.
Debatedor: Luís Reis - Mestre em Comunicação Social, pela Universidade Federal de Pernambuco, com a dissertação Trupe do Barulho, Vozes Silenciosas (Entre o Teatro e o mass-média): O processo do subalterno no Recife dos anos 90. Jornalista, ensaísta. Autor do livro-reportagem Cinderela A História de Um Sucesso Teatral dos anos 90 e da peça A filha do teatro, vencedora do Prêmio FUNARTE/2003. Doutorando em Teoria da Literatura (UFPE).
enviada por Cenicas_pe
28/09/2004 21:49
NOTÍCIAS DE GUARAMIRANGA
No XI Festival Nordestino de Teatro de Guaramiranga, a trupe Clowns de Shakespeare, RN, conquistou seis dos 12 prêmios oficiais
CENA de Muito Barulho por Quase Nada, do grupo Clowns de Shakespeare: o melhor espetáculo do XI Festival Nordestino de Teatro de Guaramiranga, além de troféus em outras cinco categorias
[28 Setembro 20h14min 2004]
Dez anos de estrada e tributo confesso às comédias shakespeareanas, mas sem perder o ''sotaque''. O grupo Clowns de Shakespeare, do Rio Grande do Norte, saiu do último Festival Nordestino de Teatro de Guaramiranga com seis prêmios na bagagem: o de melhor espetáculo por Muito Barulho por Quase Nada; o de melhor direção para Fernando Yamamoto e Eduardo Moreira; o de cenário e o de caracterização em figurino e maquiagem para João Marcelino; o de iluminação para Rogério Ferraz e o de melhor sonoplastia para Marco França. Nada menos do que metade das 12 premiações oficialmente conferidas. ''Pessoalmente, não sou a favor de festivais competitivos e juízos de valor. Um júri pode escolher este trabalho, outro pode escolher aquele. O mais importante é a troca, às vezes inibida pelo espírito competitivo. Neste ponto, todos saímos vitoriosos. Como nossas realidades são afins e somos geograficamente próximos, um encontro de âmbito regional gera vínculos sólidos, que perduram. Além disso, foi enriquecedor debater com júri e demais atores sobres acertos e limitações, já no dia seguinte à apresentação. Isto é inédito em eventos do gênero no Brasil'', reconhece Fernando Yamamoto.
Muito Barulho por Quase Nada, livre adaptação de Muito Barulho por Nada, de William Shakespeare, tem cores próprias. ''Não faria sentido adotarmos uma postura museológica para montar Shakespeare, apesar do respeito que mantemos diante de sua obra. Tanto assim que só dez anos depois de estudá-la é que decidimos partir para o primeiro espetáculo de repertório. Ainda assim, buscamos o nosso Shakespeare, sem, é claro, apelar para regionalismos'', conceitua. A busca, coletiva, fisgou profissionais de renome, como Eduardo Moreira, um dos fundadores do grupo Galpão, de Minas Gerais. ''Como co-diretor, ele nos mostrou, sobretudo, que é possível fazer um trabalho musical de qualidade. Ninguém tocava ou cantava antes do espetáculo, à exceção de Marco França, que é músico profissional da mais alta qualidade e assina a direção musical. Eduardo descobriu a musicalidade teatral em cada um e tornou real a possibilidade de usar música ao vivo'', revela.
No palco, o ambiente esfuziante da casa do patriarca Senhor Leonato, o hilário viúvo que peleja para casar sua filha Hero e sua sobrinha Beatriz, é recriado por João Marcelino - nas palavras de Fernando ''o maior artista do teatro potiguar''. É dele o cenário, o figurino e a maquiagem dos clowns, que também acabaram premiados. ''Pediu que construíssemos um acervo de roupas usadas, colares, colchas, redes, tapetes, tampas e rolhas de garrafas. Reciclar foi a palavra de ordem'', conta Fernando, referindo-se aos elementos fundantes da cena que faz saltar aos olhos, sobretudo através de jogo cromático, a paixão e o desejo intrínsecos ao texto. O espetáculo é ainda resultado de um trabalho sem fronteiras de preparação dos atores. ''Temos intercâmbios com grupos e profissionais variados, como o Galpão, o Teatro da Vertigem, de São Paulo, e o Lume, de Campinas, ligado à Unicamp. Com este, passamos a atentar para o fator ético - e não só técnico - do trabalho teatral. Dominar a técnica da exaustão física, por exemplo, a fim de atingir um estado mais livre em relação aos comandos do cérebro, é tão importante quanto o respeito ao espaço. Antes de toda sessão, limpamos a sala, onde não se entra calçado e não se conversa. Detalhes que o tornam orgânico, sagrado'', defende.
O processo colaborativo é outro coringa. ''O poder de contaminação no processo de criação do Outro deve ser estimulado pelo diretor, que de maneira alguma é o todo-poderoso'', admite. Em Aracaju, o grupo pôs à prova o mesmo poder de contaminação em relação à própria comunidade. Amparado em leis de incentivo estadual e federal, fundou, há dois anos e meio, a Casa da Ribeira. Hoje, o centro cultural aposta na formação de novos grupos teatrais, assim como no intercâmbio destes com os veteranos, mas também abre as portas para a música, as artes plásticas, a dança e a literatura. Para bancar Muito Barulho por Quase Nada vingou a proposta ''descarada'': ''Pague 30 ou mais pelo que você pagaria dez e olhe lá''. ''Foi uma campanha jocosa feita entre amigos, primeiramente. Mas o boca-a-boca funcionou e o público pagou de bom grado para ver o trabalho acontecer de forma profissional'', vibra Fernando. A próxima pesquisa dos Clowns de Shakespeare centra foco numa unanimidade nacional: o compositor Chico Buarque. Mas antes, Fortaleza verá o que Guaramiranga já viu: na esteira do projeto Telemar Grandes Espetáculos, Muito Barulho por Quase Nada sobe ao palco do Theatro José de Alencar, em novembro próximo.
PREMIAÇÃO
§ Melhor Espetáculo de Júri Oficial Muito barulho por quase nada (RN)
§ Melhor Espetáculo de Júri Popular Angu de Sangue (PE)
§ Melhor Direção Fernando Yamamoto e Eduardo Moreira por Muito barulho por quase nada (RN)
§ Melhor Ator Paulo Ess por Curral das Lembranças (CE)
§ Melhor Atriz Augusta Ferraz por Guiomar, a filha da mãe (PE)
§ Melhor Ator Coadjuvante Fábio Caio por Angu de Sangue (PE)
§ Melhor Atriz Coadjuvante Hermylla Guedes por Angu de Sangue (PE)
§ Cenário João Marcelino por Muito barulho por quase nada (RN)
§ Caracterização em Figurino e Maquiagem João Marcelino por Muito barulho por quase nada (RN)
§ Melhor Iluminação Rogério Ferraz por Muito barulho por quase nada (RN)
§ Melhor Sonoplastia Marco França por Muito barulho por quase nada (RN)
§ Texto Original Rafael Martins por Lesados (CE)
§ Prêmio Especial de Incentivo à Dramaturgia Rafael Martins (CE)
§ Prêmio Especial de Incentivo à Pesquisa Lampião e Maria Bonita (BA)
FESTIVAL DE TEATRO
Três para lá,
três para cá
Ceará e Pernambuco foram os estados que mais classificaram espetáculos para a mostra competitiva do Festival de Guaramiranga
No XI Festival Nordestino de Teatro de Guaramiranga, Ceará e Pernambuco competem em pé de igualdade: cada estado classificou três espetáculos. Última terça-feira, a noite da mostra competitiva foi de ambos. Enquanto os cearenses da Cia. De Teatro em Construção encenava O Livro, a dupla pernambucana da Cia. Parcas Sertanejas subia ao palco para apresentar Guiomar, a Filha da Mãe. O primeiro tratou dos impasses de uma relação amorosa em crise, usando o livro de estimação de ambos como pretexto. Mas com a intenção final de desnudar e dessacralizar o trabalho de ator. O segundo fragmentou um texto em cordel assinado por Lourdes Ramalho para contar sobre uma ex-professora em situação de miséria, vagando pelas ruas a catar lixo e contar a História do Brasil, sob o olhar cúmplice de um ''agregado''.
Pouco antes das apresentações, Aldo Marcozzi, diretor de O Livro, e Rafael Martins, autor do texto original do espetáculo - ele ainda concorre na mesma categoria com Lesados, outra prata da casa - sentaram-se no refeitório do Mosteiro dos Capuchinhos para conversar com os pernambucanos Augusta Ferraz e Márcio Carneiro, protagonistas de Guiomar, a Filha da Mãe. O papo informal, sem pauta definida, teve como mote os próprios trabalhos em cena, mas enveredou pela importância da formação para o ator e os processos criativos de cada um.
Aldo Marcozzi - Esse problema de que vocês tratam no espetáculo Guiomar é recorrente nos estados brasileiros: pessoas que tiram do lixo a sobrevivência.
Augusta Ferraz - Isso inclui a nós, que muitas vezes tiramos cenário e figurino do lixo, reciclando o que sobrou dos antigos.
Aldo - É verdade. No caso de O Livro, tem uma porta que foi de um espetáculo do extinto Colégio de Direção, que estava no lixo e a gente reaproveitou.
Augusta - Encenar e dirigir Guiomar foi revelador. Só aí fui perceber a vida e o raciocínio do miserável. Até então, olhava muito os que vivem na rua, que não têm direito a coisas que eu e você temos, direitos civis e sociais, olhava para eles apenas como sofredores e desvalidos. Depois de Guiomar percebi que são pessoas que têm família, que têm sua própria história, pensam. Hoje, olho para um carroceiro e não vejo só um miserável catando papelão na rua para poder comer. Aquela pessoa tem um universo dentro dela. Emocionalmente isso me ajudou muito, me senti mais integrada, menos burra.
Márcio Carneiro - Sou de Goiás, moro em Recife desde 1998 e também fui ter noção de muita coisa ligada à cultura e à história através do texto de Lourdes. Quer dizer, a informação de que os judeus, pós Inquisição, fogem e se embrenham no Brasil rebatizados com nomes de animais e plantas, como Oliveira, Carvalho, enfim, isso eu não tinha. Foi uma surpresa. E um meio de pensar um pouco também sobre o tema do festival de Guaramiranga: Transculturalismo e Processos Identitários. São vários Brasis e realmente a gente não tem conhecimento sobre muita coisa, pelo tamanho do País. No fundo, as nossas raízes são muito parecidas, ainda mais para quem é do interior, meu caso. Senti medo quando cheguei em Recife, a cultura é muito viva. Mas tive sorte porque fui logo fazer um curso com Ariano Suassuna e percebi que não preciso abstrair a minha cultura para absorver outra. Somar é que é interessante.
Augusta - Há um ponto onde todos nós nos encontramos, que é a humanidade realmente, independe de onde estejamos. Que identidade cultural é essa? Por mais que você encontre formas variadas de viver e se expressar, há algo que nos universaliza e nos define como humanidade.
Márcio - É muito perigoso apontar a forma. A minha formação é urbana. Não dá pra negar isso. Cada um tem a sua história. Então, como colocar isso no teatro? Que não seja apenas via sotaque, né? A gente liga a televisão e fica aquela coisa pequena. E é muito maior. Mas para isso a gente tem que ter uma maior troca, sobretudo no próprio Nordeste.
Augusta - Sem Dragões e Leões.
Aldo - Nisso os festivais ajudam muito. Há intercâmbio. E é um paliativo diante das dificuldades de formação que enfrentamos. No Ceará, a gente tem a tradição de correr contra a corrente e as coisas durarem pouco, os cursos de formação chegam, os governos mudam e desmancham o que estava feito. O que sobrou em termos de formação depois da extinção do Colégio de Direção Teatral? O Curso de Arte Dramática da Universidade Federal do Ceará, que é de extensão, o único que dá diploma; o curso de princípios básicos de teatro no Theatro José de Alencar, via Secretaria da Cultura do Estado, e o curso superior do Cefet, que ainda é novo, agora que formou a primeira turma, então é difícil avaliar. Mas só existir cursos não é o xis da questão. O que importa são as oportunidades de aprendizagem que eles oferecem. Nesse caso, o Colégio de Direção faz muita falta, porque estabelecia um vínculo com todo o País, trazendo para Fortaleza profissionais de diversas procedências e escolas. Com ele, as artes cênicas do Ceará ganharam novo impulso, talvez muitos trabalhos aqui não existissem se não tivesse havido esse espaço para exercitar a criatividade. Um curso de formação é fundamental para congregar e pôr o pensamento em movimento.
Augusta - Em termos de formação ainda não chegamos ao ideal, mas Recife oferece bem mais opções. Existe a Faculdade de Artes Cênicas da Universidade Federal de Pernambuco, com bacharelado em Direção e Interpretação e só estamos esperando a definição do MEC para implantar mestrado em interpretação e direção. Até lá, voga um convênio com a Universidade Federal da Bahia para mestrado. O mestrado em Antropologia da UFPE também é muito voltado para as artes. Fora isso, temos cursos temporários pagos, como os que acontecem no Centro de Formação Experimental Apolo Hermilo, que pertence a uma sociedade de amigos, mas funciona em um prédio da prefeitura. Agora, Recife tem muitos festivais, não é? Festivais com reputação e que traz profissionais de todo o mundo para lá. Festival de Teatro de Rua, Festival Nacional de Teatro do Recife, Janeiro de Grandes Espetáculos, Festival Todos Verão Teatro, Festival de Inverno de Garanhuns... em todos eles há inúmeras oficinas e seminários, o que muito contribui para a formação.
Rafael Martins - Já eu, por exemplo, enquanto autor de textos para teatro, tenho que ser auto-didata. Vou atrás de outras pessoas que escreveram no passado, que tiveram curso de formação, têm os livros... Mas escrever para teatro não é simplesmente um exercício de forma e sim de alma, de conteúdo, de sensibilidade. Estou competindo com dois textos completamente diferentes entre si. Os Lesados nada tem a ver com O Livro. Ficamos numa dúvida danada para inscrever O Livro até, porque na verdade não é um espetáculo com cara de festival. É um jogo cênico.
Aldo -É um espetáculo dentro do espetáculo. Não tem figurino. Os atores usam uma roupa de trabalho e entram num embate, tendo como base o texto do Rafael, mas o que a gente propõe é a criação de um espaço em que os atores entrem em clima de jogo cênico, de aqui-e-agora. Nossa preocupação é processual. O Livro é trabalho em processo, sempre. Tanto que o texto já tem coisas minhas, dos atores, embora seja do Rafael.
Rafael - Escrevo texto a partir do que me foi dado como resposta. Escrevo e vou ver como funciona através do ator. A visão de dramaturgo é que a dramaturgia é literatura que vai virar teatro. Mas o ator é que é a centralidade do teatro, o texto é pretexto, às vezes nem existe. Ator e platéia é que sempre têm que existir.
Aldo - O Livro é muito simples. Tem a centralidade no ator e mais do que contar a história do casal Virgínia e Pablo, o espetáculo é sobre teatro. É um espetáculo sobre dois atores em cena. Obviamente que não se fala sobre isso. Mas toda a teatralidade está revelada ali, tanto é que só há uma mesa e uma porta como cenário e os atores se aquecem em cena. Tem a ver com uma tentativa de dessacralizar o fazer teatral e sobretudo tirar a ansiedade do público e do ator. Aquela coisa do ator ficar gelado para entrar e o público criar uma expectativa enorme em relação ao espetáculo que verá. Às vezes, nos ensaios, a gente consegue momentos brilhantes, de olho no olho, se arrepia e sonha: 'ah, se no dia acontecesse assim'. Não se trata de um ensaio aberto, mas um convite ao público para presenciar, quem sabe, um momento como esse e um trabalho que está em processo
.
Augusta - Queria cutucar os dois: vocês falaram na negação do glamour do teatro, da ansiedade. Não entendi bem como é isso.
Aldo - As pessoas fazem um espetáculo como um fim... tem que ter uma beleza absolutamente estonteante, existe toda uma ansiedade que se cria em torno do ser ator de teatro. E às vezes se investe muito em parecer ator de teatro e se investe pouco em ser de fato. O ofício do ator exige permanente estado de reflexão, auto-investigação e formação. O ator é melhor ator tanto melhor gente ele for.
Augusta - Mas você não acha que todas maneiras de fazer teatro, de sentir teatro, viver teatro não fazem com que o teatro continue aceso? Tudo o que é tido como não-sério e não-teatral também não faz parte desse contexto? Porque já pensou uma coisa só boa, intelectualizada, definida... Isso deve ser eliminado da ação do teatro?
Aldo - Eliminada não, mas o ator deve ter consciência cada vez mais de que seu ofício deve ser revisto, a forma cada um escolhe.
Augusta - Acho que as pessoas de teatro se dão uma importância tamanha. Tanta que terminam não abrindo as portas para a aprendizagem, porque o que é fútil hoje, amanhã pode não ser. O que se vê como falta de seriedade, na verdade, são formas de aprendizagem também. A gente perde por exigir tanto, menosprezar tanto, segmentar tanto. Nós mesmos somos muito preconceituosos conosco. O teatro na sua totalidade perde com isso. Tem que ter os vazios, os glamourosos, os alucinados. As próprias pessoas vão aprender a discernir o que é interessante para elas ou não.
enviada por Cenicas_pe
09/09/2004 03:57
A VIDA DE ANNE FRANK
Espetáculo "Annexo Secreto"
Cena da peça Annexo Secreto, com Milena Lago e Soraya Silva
Peça é baseada no famoso Diário de Anne Frank
A Companhia Pernambucana de Teatro Rasgado estará encenando até o dia 19 de setembro a peça Annexo Secreto. O espetáculo escrito por Luciana Lyra, foi inspirado na história real contida no famoso Diário de Anne Frank que foi traduzido e publicado em mais de 60 línguas, sendo um dos livros mais lidos do mundo.
O drama conta a história de uma menina judia chamada Anne Frank, de treze anos, que confrontada com à invasão nazista teve que se esconder nos fundos de um estabelecimento comercial, o qual ela apelidou de anexo secreto. Ao longo da história, Anne registra em seu diário, medos, sensações coletivas e o seu amadurecimento diante das dificuldades enfrentadas até completar 15 anos, idade em que ela morreu.
Além de serem de grande valor histórico, os escritos de Anne Frank (que se fosse viva estaria com 75 anos) é muito atual, porque coloca o assunto guerra mais próximo do jovem. "O que Anne Frank escreveu há sessenta anos, fala de forma atualizada sobre a condição humana", diz Milena Lago, do Teatro Rasgado.
No elenco, Milena Lago, que também responde pela produção do espetáculo e Soraya Silva encenam o texto elaborado por Luciana Lyra, mas construído pelo grupo, num verdadeiro laboratório rico em referências pessoais não só da própria Anne, mas também das atrizes, da direção, da autora e de várias pesquisas sobre o tema.
A peça será exibida gratuitamente aos jovens amparados pela Fundação da Criança e do Adolescente (FUNDAC) e no final dos espetáculos, haverão debates sobre os processos de construção teatral, desde a pesquisa envolvida até o contexto em que a peça se insere.
Serviço:
Dias: sábados e domingos às 20h
Período: entre 21 de agosto e 19 de setembro
Local: Armazém 14 próximo ao Cais do Porto. Ingressos: R$ 10 (inteira), R$ 5 (estudante)

enviada por Cenicas_pe
31/08/2004 22:55
LESADOS É DESTAQUE EM FESTIVAL NACIONAL DE PRESINDENTE PRUDENTE
Na foto: a elogiadíssima lesada, Tatiana Amorim, vencedora do prêmio de melhor atriz.
O FENTEPP chegou a sua XI edição se consolidando como o grande encontro das artes cênicas. 98 Companhias de 14 estados brasileiros se inscreveram para participarem desta edição do Festival, nas Mostras Competitiva e Paralela, das quais 23 Companhias, de 08 estados brasileiros, foram selecionadas.
No último sábado, 28, o Balé Stagium se apresentou na cerimônia de encerramente no Teatro César Cava. Logo após a apresentação da Cia de São Paulo se deu a entrega dos prêmios e o espetáculo LESADOS do Grupo Bagaceira de Teatro do Ceará foi o grande vencedor levando nove prêmios:
MELHOR ESPETÁCULO, DIREÇÃO, TEXTO ORIGINAL, ATRIZ (Tatiana Amorim), ATOR COADJUVANTE ( Démick Lopes), SOM, ADEREÇOS, MAQUIAGEM e EQUIPE.O Espetáculo ainda teve outra indicação para ator coadjuvante (Rogério Mesquita) e para o cenário ,figurinos e iluminação. DEUS DANADO da Cia Rapsódia da Bahia, levou o prêmio de MELHOR ESPETÁCULO DO JÚRI POPULAR. AS MULHERES DE CENCI, de Uberlândia - MG levou os prêmios de ATRIZ COADJUVANTE ( Lilian Moraes) e Música Original. O espetáculo NOSSA CIDADE, de Tatuí - SP levou os prêmios de ILUMINAÇÃO e FIGURINOS. O CÍRCULO DE GIZ CAUCASIANO, da cidade de São Paulo levou o troféu de MELHOR ATOR (Ernani Freitas) e o TORTURAS DE UM CORAÇÃO de Goiás levou o prêmio de CENÁRIO.
A LISTA DOS VENCEDORES:
MELHOR ESPETÁULO - JÚRI OFICIAL:
1º LUGAR - LESADOS - Grupo Bagaceira de Teatro - CEARÁ
2º LUGAR - O CÍRCULO DE GIZ CAUCASIANO - Grupo de Teatro Anhembi- SÃO PAULO
3º LUGAR - DEUS DANADO - Cia Rapsódia - BAHIA
MELHOR ESPETÁCULO - JÚRI POPULAR
DEUS DANADO
DIREÇÃO
YURI YAMAMOTO - Lesados
ATOR
ERNANI FREITAS - O Círculo de Giz Caucasiano
ATRIZ
TATIANA AMORIM - Lesados
ATOR COADJUVANTE
DÉMICK LOPES - Lesados
ATRIZ COADJUVANTE
LÍLIAN MORAES - As Mulheres de Cenci - MINAS GERAIS
TEXTO ORIGINAL
LESADOS- Rafael Martins
ILUMINAÇÃO
NOSSA CIDADE- Marcos Caresia - SÃO PAULO
CENÁRIO
TORTURAS DE UM CORAÇÃO - GOIÁS
MAQUIAGEM
LESADOS - YUri Yamamoto
FIGURINOS
NOSSA CIDADE - Carlos Alberto Agostinho e Érica Pedro
SOM
LESADOS- Rogério Mesquita e Yuri Yamamoto
MÚSICA ORIGINAL
AS MULHERES DE CENCI - Naldo Luiz
EQUIPE
GRUPO BAGACEIRA - Lesados
ADEREÇOS
LESADOS - Yuri Yamamoto
Na foto: o lesado Démick Lopes, vencedor do prêmio de melhor ator coadjuvante no XI FENTEPP.
enviada por Cenicas_pe
11/08/2004 13:20
FESTIVAL DE GUARAMIRANGA
O teatro que
sobe a serra
Divulgados os espetáculos que, este ano, irão participar da
mostra competitiva do XI Festival Nordestino de Teatro - FNT
Nove espetáculos, sendo três cearenses e seis de outros estados, foram selecionados para participar do XI Festival Nordestino de Teatro que este ano acontece entre os dias 17 e 25 de setembro, em Guaramiranga (Maciço de Baturité). Lesados (grupo Bagaceira-CE), Muito Barulho por Quase Nada (Clowns de Shakespeare-RN), Fernando e Isaura (Remo Produções Artísticas-PE), Angu de Sangue (Cia. Angu-PE), Curral das Lembranças (Paulo Ess-CE), Lampião e Maria Bonita (Da Rin Produções-BA), Os Salvados (Raízes de Teatro-PI), Guiomar, a Filha da Mãe (Parcas Sertanejas-PE) e O Livro (Cia. do Teatro em Construção-CE) passaram pela peneira de uma comissão dentre os 57 grupos inscritos para a mostra competitiva.
Edilberto Mendes, Ricardo Guilherme e Fran Teixeira formaram o júri de seleção do festival, realizado pela Associação dos Amigos da Arte de Guaramiranga (AGUA) e TJA. Ao final da etapa competitiva, os vencedores irão receber uma quantia de R$ 15 mil em prêmios, sendo o grande vencedor - escolhido pelo júri oficial - agraciado com R$ 3 mil; o indicado pelo júri popular recebe R$ 2 mil. O restante das categorias são as seguintes: direção, ator, atriz, ator coadjuvante, atriz coadjuvante, cenário, caracterização em figurino e maquiagem, iluminação, sonoplastia e texto original, sendo que o melhor de cada uma recebe R$ 1 mil. Troféus e certificados também fazem parte da premiação.
O diferencial desta edição está no novo formato da mostra paralela que, antes voltada exclusivamente para espetáculos ''da casa'' em apresentações ocorridas tanto em Guaramiranga quanto em cidades vizinhas, contará agora com uma mostra de caráter internacional com o objetivo de abranger ainda mais a participação de companhias ''de fora'' e, conseqüentemente, o intercâmbio entre as mesmas, sendo mais um espaço de criação e pesquisas. Sendo assim, Portugal dará as caras no XI FNT apresentando dois espetáculos, Ex Godot (com os atores Filipe Ferraz e Diana Morais, da Escola Superior Artística do Porto) e Auto do Físico (da Associação Teatro Construção).
Já na abertura, o evento contará com a presença das atrizes Nathália Timberg, Rita Elmor e Carla Marins em cena com a montagem intitulada Melanie Klein. Completando a programação, o festival irá destacar ainda teatro de bonecos e de rua, além do projeto ''Te-Ato à Meia-Noite'' e performances nos espaços abertos da cidade, podendo contar com os figurinos pertencentes ao acervo do Theatro José de Alencar. O grupo Lume, de Campinas, será o responsável por encerrar a 11ª edição do festival com o espetáculo Shi-Zen, 7 Cuias.
SERVIÇO
XI Festival Nordestino de Teatro de Guaramiranga - De 17 a 25 de setembro, em Guaramiranga e cidades vizinhas do Maciço de Baturité-CE. Mais informações: (85) 321.1405 / fnt@agua.art.br / www.agua.art.br
OS SELECIONADOS
Lesados - Grupo Bagaceira (CE)
Muito Barulho Por Quase Nada - Clowns de Shakespeare (RN)
Fernando e Isaura - Remo Produções Artísticas (PE)
Angu de Sangue - Cia. Angu (PE)
Curral de Lembranças - Paulo Ess (CE)
Lampião e Maria Bonita - Da Rin Produções (BA)
Os Salvados - Raízes de Teatro (PI)
Guiomar, A Filha da Mãe - Parcas Sertanejas (PE)
O Livro - Cia. do Teatro em Construção (CE)

enviada por Cenicas_pe
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